quinta-feira, 30 de julho de 2009

ENTREVISTA NA ÍNTEGRA, COM MEL LISBOA (CAPA DA REVISTA TAL DESTE MÊS)

Como foi fazer a peça “Cyrano”, com o Bernardo recém-nascido?

Quando eles me chamaram, o Bernardo (filho de Mel, com seis meses de vida) estava com um mês apenas, e eu não tinha a intenção de voltar ao trabalho com ele tão novo. Depois fiquei pensando que era uma oportunidade bacana, porque o espetáculo já estava pronto, e para a substituição da Nívea (Stelman), os ensaios seriam mais rápidos. E a peça é maravilhosa! Eu tive a oportunidade de vê-la antes. Fora isto, é um espetáculo infantil, então os horários também são mais tranquilos, sábados e domingos às 17h. Ficou mais fácil conciliar, e eu topei. Quando eu estreei aqui em São Paulo, ele (Bernardo) não estava nem com quatro meses ainda.

Você continua gravando o Programa “Mundo Afora” no GNT?

Eles estão reprisando. Ontem mesmo estava passando o programa de Nova Iorque, que foi o primeiro que eu gravei.

Tem algum lugar especial entre todos os que você conheceu pelo Programa?

Eu conheci muitos lugares, mas o Deserto do Atacama foi o que eu mais curti. Eu até já tinha falado que queria conhecê-lo um dia, mas eu sou muito urbana, gosto de ver a cidade, os museus, e talvez tivesse deixado de lado esse destino se não fosse pelo Programa. E quando eu cheguei lá foi impressionante. Me perguntava porque não tinha ido antes. Nós temos paisagens desérticas no Brasil, mas não o deserto em si. Fiquei “passada”!

Você chegou a escrever um livro sobre o Programa, o Mundo Afora – Diário de Bordo de Mel Lisboa, como surgiu essa idéia?

Na verdade, a idéia não foi minha. O GNT e a Editora Globo têm uma parceria e sempre publicam livros sobre os programas. Eu já tinha parado de gravar o Programa, quando eles me ligaram, falando que queriam fazer um livro do “Mundo Afora”. E como eu tinha sido a última apresentadora, e a temporada tinha sido bacana, acabei sendo convidada. Aí fizemos uma reunião, e eles me perguntaram sobre as fotos que eu havia feito. Fiz uma seleção e umas revelações bacanas para eles. Eles ficaram “passados”, porque imaginaram que as fotos seriam registros comuns, e, na verdade, são fotos de quem gosta de fazer fotos! Não sou fotógrafa, mas gosto muito de foto, e faço isso há muito tempo! Aí eles sugeriram que o texto fosse mais solto, a minha impressão sobre os lugares e não necessariamente um guia de viagens.

A personagem “Anita” (interpretada por Mel Lisboa, em 2001, na minissérie “Presença de Anita”, de Manoel Carlos) dizia que “Na vida nada é por acaso, tudo está escrito”. Você concorda com esse pensamento dela, ou acredita que nós construímos nossa própria realidade?

Acho que são as duas coisas! É uma mistura. Nós também temos opções e fazemos escolhas. Mas é difícil saber onde começa um e termina o outro. Fazendo uma metáfora, imagine a rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, ela seria o que está escrito, agora se você vai a 100 Km por hora ou a 120 Km, se você vai fazer desvios para entrar em alguma cidade ou se vai fazer paradas, isso tudo são as escolhas. Se eu soubesse de fato o que está escrito e o que eu preciso decidir, seria muito fácil.

O fato de Manoel Carlos te escolher para fazer a Anita, você acha que “estava escrito”?

Aquilo foi tão determinante na minha vida, que eu acho que sim! Mas não caiu do céu também. Eu fiz quatro testes, ralei muito, corri atrás mesmo. E hoje, quando penso na importância e na proporção que isso tomou em minha vida, eu percebo que tinha que ser meu, porque até hoje determina muitas coisas.

E como foi para você sair da faculdade de cinema para viver a Anita na Televisão?

Eu não tinha noção de como seria, porque o meu contato com a atuação, até então, era no teatro. Eu já tinha feito publicidade, mas novela ou coisas parecidas eu nunca tinha feito. Não tinha noção de como era ser conhecida. A minha mãe (que é astróloga) sempre atendeu pessoas famosas, artistas, políticos, e eu sempre via esse pessoal entrando e saindo da minha casa, e isso não era coisa do outro mundo para mim. Eu sempre tive dúvida quanto a ser atriz, de fato. E continuo tendo! É uma questão que vira e mexe volta... Eu me questiono e não sei se é isso, mas quando fui fazer a Anita, a minha maior preocupação era a de realizar bem aquele trabalho. “Já que é meu, quero fazer muito bem e não vou pagar o mico de ser apedrejada, tipo “ela é péssima! Quem botou essa pessoa aí?” Isso eu não iria agüentar. Aí eu iria pirar mesmo! Mas isso não aconteceu. As pessoas me aceitaram bem, e eu recebi uma massagem no meu ego, que me fez continuar. Mas, por outro lado, ficar conhecida do dia para a noite é muito maluco, mexe muito, não tem como escapar ileso disso!

Você pode trabalhar e continuar igual ao que você sempre foi, tratar as pessoas do mesmo jeito, mas fica uma marca. Agora que eu estou “fora do ar”, deixei meus cabelos crescerem, e muita gente não me reconhece, e eu acho fantástico. Adoro!

Na época do auge, o que foi mais difícil para você?

Conciliar o que as pessoas pensam que sou, com o que sou de fato. E respeitar isso! Não tem problema se pensam que sou a “super sexy” ou a “garotinha safada”. Porque aí, você vai se colocando aos poucos. Em cada entrevista, em cada nova personagem, em cada nova situação. Entender que você não é aquilo que as pessoas enxergam é primordial. Se eu acreditasse em tudo o que tinham me dito na época, eu já teria me matado, porque a minha situação hoje é bem diferente daquela época, em termos de fama, de requisitação... É tudo infinitamente mais light. Agora eu estou correndo atrás, e voltei a ser “normal”. E se eu tivesse comprado aquela idéia de que “eu sou o máximo”?

Você já teve algum tipo de problema com fã?

Outro dia eu tive um negócio sério com um fã que há muito tempo vem me seguindo. Eu mudava de endereço, e ele sempre descobria, me mandava bombons e cartas. Dessa última vez que me mudei, ele invadiu mais meu espaço, e comecei a ficar muito preocupada. Tive que falar para ele. Até a diretora da peça (Cyrano) estava do lado e perguntou para ele: “Mas por que você quer tanto ser amigo dela?”. E ele disse que gostava de mim. Aí eu disse: “Desculpa te decepcionar, mas você não me conhece! O que você vê em matérias são perfis, você não pode gostar de mim sem me conhecer. Você pode gostar do meu trabalho, ou me achar uma pessoa interessante, ou gostar das minhas idéias, mas gostar de mim como pessoa, não pode!”. Eu nunca tinha passado por isso, nem no auge de “Anita”. Vim passar isso agora, há apenas duas semanas. Ele me segue há uns cinco anos. Dá medo!

Você já produziu teatro, né?

Sim, uma vez que estava com muita vontade de fazer teatro. Tinha feito “Anita” e queria voltar a “pisar no chão”, porque tinha sido difícil lidar com aquilo tudo. Aí não esperei patrocínio, peguei a grana de uma publicidade que eu tinha feito e investi no teatro. Deixei de comprar carro para montar a peça. E sabendo que não teria retorno financeiro, porque o teatro tinha sessenta lugares, e se lotasse todas as sessões, durante os três meses que ficaríamos em cartaz, não voltaria nem metade do dinheiro. Mas eu quis fazer sozinha! E foi incrível, porque aprendi um pouco de produção.

Ser mãe é um sonho antigo?

Eu sabia que iria ser mãe, tinha vontade. Só não sabia quando. Achava que seria mãe mais velha, e quando me vi grávida, com vinte e seis, pensei “Nossa!”. Mas eu curto demais, porque se quiser ter outro filho, quando eles crescerem, ainda serei nova.

Você se sente mais bonita, agora que é Mãe?

É, acho que dá uma amadurecida! (rs) Muitos conceitos mudam. Antes, eu gostava de mulher muito mais magra. Esse padrão imposto pela mídia. “Tem que ser magra, porque televisão engorda”. E hoje não me importo, e não me faz diferença nenhuma se tenho dois ou três quilos a mais. O que me importa é se meu filho e meu marido (o músico Felipe Roseno) estão bem, se vou conseguir pagar minhas contas no final do mês e se estou feliz com meu trabalho.

E os projetos futuros?

De um mês para cá, comecei a pensar mais no que será da minha vida daqui para frente, porque se eu fizer novela será complicado, afinal estou com filho e marido em São Paulo, e a gravação é no Rio de Janeiro. Tenho que pensar com certa antecedência sobre isso. Eu tenho contrato com a Globo, mas não sei quando nem o que vou fazer. Enquanto isso, estou tocando com a peça, que a gente deve levar para Belo Horizonte no final desse mês ou começo de Agosto.

2 comentários:

PM_-_Moderador. disse...

Karina. oi tudo bem. só um fã do Thiago Rodrigues. Moderador do Blog
http://www.thiagorodriguesfas.blogspot.com/
vi seu comentário gostaria muito de falar com você se possível entre em contato ou me deixe contato no meu email, patrickgmendes@hotmail.com
um grande beijo.
Esperando ansioso.

Uma pessoa com um objetivc! disse...

Sou fã da Mel faz muito tempo, é claro que quando essa revista saiu em 2009 fui logo tratar de conseguir um exemplar, ela está linda nas fotos e a entrevista dela está ótima. E, de lá pra cá ela só fez melhorar e ficar ainda mais bela.