segunda-feira, 7 de junho de 2010

O CRAQUE ZITO - Entrevista na Íntegra (Edição Copa do Mundo) - Exclusividade da Revista TAL


Bicampeão mundial pela seleção brasileira de futebol !


José Ely Miranda, o Zito, nasceu em Roseira em 1932. Iniciou sua carreira no futebol profissional pelo Esporte Clube Taubaté, mas foi no Santos que se consagrou como “grande articulador”. Além disso, fazia grandes lances para que os atacantes Pelé e Coutinho fizessem seus gols. Neste clube permaneceu por 15 anos (de 1952 a 1967), sempre se destacando como capitão, dando broncas e exigindo força de vontade da equipe. Sua carreira se tornaria ainda mais importante para a história do futebol brasileiro, depois de integrado às seleções brasileiras de 1958 e 1962, que conquistaram os dois primeiros títulos de copa do mundo ao país.

O senhor chegou em um Santos que ainda não era grande time...

Não. O time foi campeão paulista em 1935 e depois só em 1955. Eu joguei no São Paulo F.C. de Pindamonhangaba na época em que era estudante. Depois fui para Taubaté, em 1950, e fiquei lá por dois anos. Foi quando o Dr. Maneco, delegado regional de Taubaté, que era um homem apaixonado pelo futebol, mudou-se para Santos e “fez uma propaganda”, dizendo que conhecia um jogador com o perfil do time. Assim, eles acabaram convidando eu e o Hugo (meia esquerda muito talentoso), para jogar no Santos. O Dr. Maneco foi meu padrinho. Estávamos entrando para o Campeonato Paulista, que era uma das mais importantes competições que tinha na época. Isso foi um grande passo!


E naquela época, certamente, era difícil acreditar no sonho de ser jogador, pois não se ganhava dinheiro como hoje... Sua família o apoiou?

O sonho de ser um grande jogador, independia das dificuldades. Era uma paixão...

Vamos esclarecer: ser jogador naquela época, não era uma questão de ganhar ou não ganhar dinheiro, era uma profissão como outra qualquer. Precisava de talento e vontade de fazer aquilo que realmente gostava...

Quando recebi a minha primeira proposta, minha mãe quis ler o contrato. Ela sempre me apoiou mesmo com dor em seu coração. Queria ver o filho crescer. Não era muito diferente do Taubaté. Era um time médio, mas aos poucos foi crescendo e contratando novos talentos. E quando o técnico Lula (Luiz Alonso), que comandava o time do “Juniores”, assumiu o “profissional”, mudou toda a estratégia de trabalho.


Mudou em que sentido?

O Lula apostava em um time mais jovem e com jogadores de qualidade. Também contou com muita sorte, porque conseguiu reunir um grupo fantástico, do qual faziam parte Pepe, Coutinho, Pagão, Pelé, Dorval e muitos outros jogadores.


E como foi vencer o Botafogo em pleno Maracanã na Taça Brasil, em 1963?

Foram dois jogos. Primeiro tomamos de três a um. Depois fizemos uma reunião secreta, sem o treinador. Estávamos no alto do Corcovado, concentrados para o jogo do domingo. “O Dorval vai marcar o Zagalo“, para não deixar ele jogar. O Botafogo havia mudado o esquema tático, e nós precisávamos de uma nova estratégia. Nós ganhamos de 5 x 0 no domingo. Um detalhezinho. Olha como muda o negócio (risos). Nós nunca contamos sobre a reunião para o Lula, mas ele era esperto e deixava a gente conversar.


Foi o melhor treinador que você teve?

Acho que sim, ficou 12 anos no clube e ganhou quase todos os campeonatos que comandou. Seu potencial era indiscutível.


E nessa época, o grande freguês do Santos era o Corinthians?

Era! Foram 11 anos sem ganhar da gente. Comentei isso em um programa de TV, que os corinthianos pediam para gente ganhar de pouco. Não devia ter falado. Se encontro um corinthiano na rua, ele vai me massacrar (risos). Mas é verdade! Porém foi o melhor adversário que já tivemos. Não porque perdiam sempre, mas porque eles próprios admiravam nosso time, aliás, todo mundo.


O senhor saiu em que ano do Santos?

Eu parei de jogar em 1967. Quando o Corinthians conseguiu vencer o Santos, em 1968, eu estava no alambrado, assistindo o jogo... O Paulo Borges, atacante do Rio de Janeiro, contratado pelo Corinthians, conseguiu mudar o time do Corinthians, e eles ganharam do Santos por 2 X 0. Foi uma festa e um alívio para eles!


E como foi que o Pelé chegou ao clube?

O Valdemar de Brito, ex-jogador da seleção brasileira, era treinador do Baquinho (Bauru) e trabalhava com o Pelé. Ele disse ao Presidente do S.F.C. da época, o Athiê Jorge Cury, que conhecia um menino fera, e que iria levá-lo para que a gente o conhecesse.


Como foi esse primeiro contato com o Pelé?

A nossa curiosidade era conhecer o “grande ídolo” Valdemar de Brito. O Pelé naquela época era apenas um menino que estava chegando, com terno azul marinho... Brincamos com ele, e acabou ficando conosco, morando na concentração. Aos poucos foi fazendo amizade e mostrando o futebol dele. O Pelé é o cara de maior sorte no Brasil. Em 1956, ele ainda estava no Juniores, quando o Vasconcelos, que era o melhor atacante que nós tínhamos, do meio pro fim do campeonato, quebrou a perna num jogo contra o São Paulo. O Lula promoveu o Pelé para o time profissional. Aí, em 1957, foram convocados os jogadores para a seleção. Se o Vasconcelos não tivesse sofrido aquele acidente, o Pelé não seria o que é hoje dentro do futebol. Uma “fatalidade” que mudou a vida dele e a história do Santos.


E como foi participar desse grupo? O senhor comandava a equipe, não é?

Para mim foi maravilhoso. Eu era jovem, estava começando, mas era meio chato! O treinador não podia entrar no campo, nem os reservas. Então, ficava onze contra onze. E eu era o “sargento”, porque alguém tinha que tomar conta lá dentro do campo, né? Era exigente nos treinos, dava exemplos, conselhos...


Eu já ouvi de gente que jogou bola com o senhor, que quem ouviu seus conselhos, hoje está bem... O que o senhor dizia?

Obrigava a comprar apartamento, investir bem o dinheiro. Não era muito dinheiro, mas as coisas também não eram caras. O Dorval, por exemplo, chegou a ter 15 apartamentos. Todos nós tínhamos uma situação razoável para a época. Na diretoria, era eu quem dava a cara para bater, representava os jogadores em contratos. Com isso, eles foram acreditando em mim. Foi um time imbatível!


O que “sabemos” é que o Santos não conquistou mais mundiais e libertadores nas décadas de 1950 e 1960 porque vocês abriram mão. Era vantajoso jogar no exterior?

Em partes sim. Apesar da Libertadores ser uma bela conquista, não dava lucro para os clubes.


E aquela história de que o Garrincha tinha comprado um aparelho de rádio e depois vendido. Que ele era um “mané”, é tudo papo furado, não é?

É! Mas a historia do rádio é verdadeira! Comprar um rádio na Suécia que só fala sueco! Não prestava!!! Não passou de uma grande brincadeira. Ele era um gozador, não levava nada a sério. Era o meu parceiro de quarto. Uma vez perguntei para ele, onde guardava o dinheiro e me disse que era no colchão. Era uma pessoa muito simples, foi um grande amigo. Um jornalista escreveu uma vez que quebrei a perna dele, mas era tudo mentira, não quebrei a perna de ninguém! Perguntaram para mim, se eu achava que o Garrincha era o melhor... Foi, sem dúvida alguma, um dos melhores!!!

Certa vez, o técnico Feola escalou o Julinho Botelho para jogar no lugar do Garrincha. Só que foi em pleno Maracanã! O Rio de Janeiro o idolatrava. Quando deu a escalação, estávamos do lado do Julinho pra dar força pra ele. Quando anunciaram o nome dele, veio aquela vaia de tremer o estádio! O Maracanã inteiro com faixas pedindo Garrincha. Dissemos ao Julinho: “vai, porque você é bom”. Ele saiu aplaudido e arrasou os ingleses. Nem Pelé fez o que ele fez. E olha, se fosse eu, acho que não jogava não! (risos). Foi uma vaia inesquecível, mas ele cresceu e o Maracanã o abraçou! Ele fez algo que nunca alguém havia feito: superar o Garrincha em pleno Maracanã!


Mas, o Julinho Botelho não foi campeão do mundo, não é?

Não, porque ele foi vendido para o Fiorentina. Naquela época, não convocavam quem ia pra fora do país.


Em 1962, no Chile, o Garrincha jogou demais...

Foi a copa dele. O Pelé se machucou no primeiro jogo e saiu. Ficamos com 10. E o Garrincha fez gol de direita, de esquerda, de cabeça, deu passes para fazer gol. Fez tudo que sabia. Era muito bom! Foi um espetáculo!


Você jogou com um cara polêmico, o Almir Pernambuquinho. Ele era louco mesmo?

Não! Ele era bravo, valente. No campeonato sul-americano, ele foi brincar com o goleiro dos argentinos, eu não estava jogando porque tinha me machucado. Ele caiu com o goleiro, que deu um soco nele, ele acabou dando um soco no argentino. Veio o zagueiro Willian Martini, pegou ele e colocou do outro lado. E aí foi um pau danado. Foi todo mundo em cima, pra bater neles. Virou uma guerra. Brigaram os onze. Até o seu Feola, que estava do meu lado, quis pegar o banquinho e ir pra lá. Eu disse: “Seu Feola, senta aí!” (risos). “Deixa que eles se arrumem”.


Naquela final contra o Milan, no Maracanã, ele deu um tapa na cara do zagueiro italiano antes de começar o jogo...

Ele era provocador, né? E bravo! Mas jogou muita bola.


É verdade que o Pelé obedecia ao senhor?

Não é que ele obedecia. É que eu pegava no pé de todos eles dentro do campo, e eles ouviam. Tem um detalhe: Como era capitão e tinha certo acesso na diretoria, eu ia lá chorar para aumentar o salário desse e daquele. Cada semana era um!


O senhor foi capitão do melhor time do Brasil...

Meus dois primeiros jogos na seleção foram de reserva do Dino Sani. O Belini era uma pessoa que todo mundo respeitava, e foi muito bem. Deu certo. Ninguém nunca o viu na baderna, tinha tudo para ser o capitão. Em 1962, foi o Mauro, que foi muito bem também, porque ganhou, né? Se perde, não presta (risos). Ele era o capitão, mas no meio do campo, eu continuei falando do mesmo jeito.


Qual foi a emoção de ganhar a copa de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile)? Foi a mesma coisa?

A de 1958 foi a primeira, fora do Brasil, num país estranho. Foi o melhor campeonato!

O título de 1958 foi a coisa mais importante para o futebol brasileiro, porque o Brasil não tinha tradição em Copas do Mundo. Essa conquista provocou uma mudança no futebol do país.


Essa seleção é mais importante que a de 1970, na copa do México?

A de 1970 foi muito, muito boa. Só tinha fera. Falando de futebol, ela foi melhor. Mas a de 1958 foi a que trouxe alegria para o Brasil, e o país estava precisando de alegria.


O Dr. Paulo Machado de Carvalho, dirigente do futebol brasileiro, foi fundamental na parte de organização da equipe?

Ele foi fundamental. Na verdade, foi ele quem comandou mesmo a seleção. Durão, exigente, mudou a formação de uma seleção que era marcada pela desorganização. Cada um ia para um lado. Com ele no comando, isso não acontecia.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

SAI HOJE A TAL "TEMÁTICA": Copa do Mundo!!!

Estamos nos aproximando da Copa do Mundo, que neste ano acontecerá na África do Sul, o que justifica nossas páginas estarem recheadas de assuntos ligados a esse grande evento.

Na entrevista de capa, um “bate-bola” com meu tio Zito, um dos maiores craques do mundo: jogador que fez história no Clube do Santos nas décadas de 1950 e 1960, e foi bicampeão mundial pela seleção brasileira de futebol nos anos de 1958 e 1962.

Desde que tive a honra de confirmar “sua presença” nesta edição, resolvi, claro, chamar alguém especializado no assunto, para fazer a entrevista da Capa: O jornalista e amigo Fabrício Junqueira.

No bate-papo, em sua fazenda, Zito nos conta, com exclusividade um pouco dos bastidores desse esporte que é tão popular no Brasil, e revela-nos detalhes de sua convivência com outros grandes nomes do nosso futebol, como Pelé, Garrincha e Zagalo.

Também contamos com o dentista taubateano Daniel Sbruzzi, que é um dos fundadores do Bloco carnavalesco “Vai Quem Quer”, e destaque tanto na imprensa nacional quanto na internacional, como torcedor brasileiro assíduo das Copas do Mundo.

Além de tudo isso, você poderá conferir alguns eventos que badalaram a região, e mais duas entrevistas: uma com a Banda Blackommodoro e outra com a jornalista da TV Globo - Vale do Paraíba, Michelle Sampaio.

É partir pro ataque e marcar o gol! Boa leitura.

Karina Sbruzzy.



sábado, 10 de abril de 2010

SAMARA FELIPPO na CAPA de 2 ANOS da REVISTA TAL! UM ARRASO! Confira entrevista na íntegra:


Bem humorada, linda e talentosa!
Seu objetivo era tornar-se ginasta, mas decidiu estudar teatro para perder a inibição. Aos 17 anos desistiu de prestar vestibular para Informática, ao obter uma vaga na Oficina de Atores da Rede Globo de Televisão. No início de 1997, participou do quadro “Estrela por um Dia”, no programa “Domingão do Faustão”, e seu desempenho foi considerado excelente! Naquele mesmo ano, Samara fez sua estréia na novela Anjo Mau, da Globo, quando deu início à sua carreira de sucesso!
Hoje, aos 32 anos, ela mora com sua linda filha Alicia, de 8 meses, no Rio de Janeiro, onde nos recebeu para este delicioso bate-papo...

Como está a vida de mãe? Você esperava que fosse tão boa?
Esperava sim. Minhas amigas que já tinham filhos estavam sempre “no céu”. Só falavam coisas boas. Então, eu não esperava outra coisa. É muito cansaço, muita preocupação, mas é a melhor coisa do mundo! Sou mãezona.

Você sonhava em ser mãe?
Eu sempre sonhei. Sempre falei que iria me casar, ter filhos... Tem mulher que opta por não ter filhos, mas eu sempre quis. Minha família sempre foi muito grande, com muitos primos. Meu pai era muito animado, meus natais foram sempre muito animados, as festas de Ano Novo sempre tiveram muito essa coisa de família, por isso sempre sonhei em ter filhos. Não sabia nem quando, nem com quem, mas queria... (risos)

E como surgiu o Leandrinho nessa história?
O Leandro surgiu na minha vida da maneira mais engraçada e menos obvia possível. Eu estava há bastante tempo sozinha, me amando, amando estar sozinha. Tinha saído de um relacionamento no qual tinha comido o pão que o diabo amassou.
Muitas pessoas não fazem isso, elas emendam um relacionamento no outro e não dão aquela “zerada”. Eu consegui, e é muito bom. Então, eu não dava satisfação pra ninguém, eu ia pra onde eu queria, e estava curtindo muito aquela fase.
Aí, um dia, estava numa boate, e uma amiga minha me apresentou o Leandrinho. Eu nunca tinha visto basquete na minha vida e não sabia quem era o Leandro. Ele pediu meu telefone para minha amiga, e mandei dizer que não podia dar. Mas, de alguma forma, ele conseguiu o meu número e me ligou. Fui super grossa com ele, porque não queria ninguém me aborrecendo. Mas o Leandro foi me amolecendo, ele é uma pessoa que tem esse dom.
Mas, naquele primeiro contato eu fui muito bravinha. Perguntava como ele tinha conseguido meu telefone, porque estava me ligando sem autorização... Mas ele foi me quebrando, foi batendo papo e dizendo que tinha me adorado. Trocamos msn e ficamos batendo papo, e fui achando ele gente boa. Uma amiga que temos em comum só falava bem dele, dizia que ele era “pra casar”. E eu dizia que não, que era pra esquecer isso. “Ele é gente boa, que bom, então vamos conversar”, eu pensava.
Eu estava no elenco de uma peça naquele momento, e me apresentava todos os finais de semana, e, durante uma conversa, ele me disse que, quando eu quisesse ir pros EUA, era só ir, que a porta da casa dele estava aberta. Eu disse que era impossível, porque estava com a peça em cartaz todo final de semana. Mas o espetáculo foi cancelado em duas cidades, em dois finais de semana seguidos. Falei: “Quer saber? Vou viajar”. Ai liguei pra Gis, minha amiga, e a convidei pra ir comigo. Quando chegamos no aeroporto, o passaporte dela estava vencido, e eu acabei indo sozinha.

Então era pra ser, Samara...
É... o Leandro foi me cercando de carinho e fui convivendo com um cara muito bacana, pé no chão. Por mais que ele seja bem sucedido, ele não viaja nas estrelas. Fiquei muito encantada com ele.

E os planos com ele e com a Alicia?
Eu não faço planos. A única coisa certa que a gente tem é que ele quer terminar a carreira dele aqui no Brasil. Mas ele está com 27 anos, e tem pelo menos mais sete anos de carreira. Não sei o que vou fazer. Não vou dizer que vou largar minha carreira, muito menos que nunca vou para lá. Eu amo minha família, mas estou numa balança louca, porque também amo meu trabalho. Amigas minhas já disseram que se fossem eu, já teriam ido embora pros EUA há muito tempo.
A gente não planejou um filho, mas também não foi um acidente. E quando a gente começou a falar em ter um filho, pensamos nisso. Mas ele nunca me pressionou, porque eu amo minha vida aqui. E o meu trabalho também me dá essa liberdade. Curti minha gravidez toda, e não me colocaram ainda para trabalhar porque sabem que eu estou com a Alicia pequenininha, mas já estou pronta, louca pra voltar.

Sua filha protagonizou a Campanha Nacional de doação de leite materno. Você vai mostrar sua filha apenas em causas nobres como esta, ou você é daquelas mães que não liga em expor o filho na mídia, já que você é uma pessoa pública?
Eu também fiquei muito dividida com relação a isso. As pessoas ficam muito curiosas para ver. A primeira vez que ela apareceu foi na campanha de amamentação, ainda era muito pequenininha, mas achei uma causa bacana. Acho que não preciso ficar expondo. Não sou também dessas de ficar posando para tudo e para todos. E, recentemente, fiz uma matéria com ela para a Revista Caras. Acho que funciona como uma cota. Já conheceram, mataram a curiosidade? Agora não precisa mais. Eu poderia pegar fotos da Alicia e colocar no blog, no twitter, mas eu não faço isso. Não vou sair bombardeando a Alicia na mídia. A minha profissão expõe a mim, e não a minha filha.

No começo da sua carreira você pensava em ser ginasta, acabou indo para o teatro e depois para a oficina de atores da Globo. Até onde foi escolha e até onde você acha que foi destino?
Eu contei muito com o fator sorte. Eu tinha dezoito anos e era uma menina do subúrbio. Como muitas meninas de hoje em dia, não acreditava que eu poderia chegar aonde cheguei. Não que não acreditasse em mim, mas eu não queria ir tão longe: TV Globo e novela... Eu acredito em destino! Eu sempre estava no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa. E fui conhecendo as pessoas, fazendo testes e dando sorte do tipo “a personagem é a sua cara”. Inclusive, quando fiz o teste do Domingão do Faustão, o “Estrela por um dia”, tinha uma menina que fazia oficina comigo e era uma das melhores atrizes, só que aquele papel não tinha nada a ver com o perfil dela. Não que eu não tivesse meu talento, mas naquele momento tudo se encaixou.

Você acha, então, que algumas coisas fogem da nossa capacidade de escolha...
Sim. Eu fui para a televisão de uma forma muito inusitada. Eu estava dançando num programa de televisão, e entre o júri de calouros tinha uma mulher que trabalhava com isso. Entre treze garotas, ela olhou pra mim e me perguntou “Por que você não faz teatro?”. Quando acabou o programa eu fui para o camarim, com minha mãe, e a mulher me deu um cartão, e disse que tinha a oficina de atores, e que era para eu procurar, para fazer um teste. Dali deu um estalo, comecei a fazer teatro no colégio, começou a coçar o “bichinho do teatro”, e fiquei apaixonada por aquele mundo onde eu poderia fingir ser um monte de coisas...

Qual a dica que você dá para as meninas que querem seguir essa carreira?
Ter atitude. Procure cursos, se dedique àquilo que você quer. Vou falar a coisa mais clichê do mundo: nada é impossível! Se você sonha com isso, corra atrás. É traçar um objetivo. Quando eu vi a possibilidade, a impossibilidade deixou de existir. Eu via que poderia estar ali, não era uma coisa abstrata, e eu sou capaz, por que não? Mas onde eu morava não tinha recursos, eu não era bem formada, então fui procurando abrir a mente, procurando coisas para focar, para crescer e ir até aonde queria.

Qual foi o momento mais difícil da sua vida?
A perda do meu pai.

E o melhor?
O nascimento da Alicia, a entrada da Alicia na minha vida. Parece que abre o coração. Você fica mais paciente, menos egoísta, mais medrosa. Antes, se eu batesse o carro, seria eu quem iria me machucar, hoje, se eu me arranho, já penso na minha filha.

Uma mulher e um homem que você admira no campo pessoal, e uma mulher e um homem que você admira no campo profissional...
No pessoal, minha mãe. Lutadora, mãezona, está comigo até hoje e me ajuda muito com a Alicia. É uma avó babona... E meu pai. Meus pais são meus heróis. Pela minha criação, pela educação que eu tive. Eu não fui pobre, mas também não tive luxo. Eu devo muito a eles, pelo que sou hoje. Criar filho é muito difícil. Por isso admiro todos os pais e mães. Agora, no campo profissional, sou apaixonada pelo Manoel Carlos. Li numa matéria que ele iria parar de escrever. Mas eu queria tanto fazer uma novela dele. Me deu uma angústia de saber que ele vai parar de escrever, porque queria muito trabalhar com ele. E uma mulher que admiro bastante, é uma atriz jovem, que até comentavam que eu parecia com ela: a Claudia Abreu. Ela é muito talentosa, faz um trabalho maravilhoso, e fez um plano de vida para ela muito bom. Ela não deixa a vida pessoal ir de frente com a profissão, não entra nesse mundo de fofoca... Admiro a maneira como ela conduziu a trajetória dela, esse paralelo entre a vida pessoal e a profissional.

TAL COMEMORA 2 ANOS COM CHAVE DE OURO!!!

sábado, 20 de março de 2010

Olha a Rosi aí, gente!!!

Esta edição com a Rosi Campos na CAPA foi um sucesso, claro! Uma diva, uma celebridade nacional de primeira categoria!
Que atriz! Que mulher, não é, gente?
Então, aí vão algumas fotos do nosso bate papo, em Sampa, na casa dela...
(fotos Caio Gallucci)

Entrevista, na íntegra:

UM CAFÉ COM ROSI CAMPOS


Que delícia, em pleno domingo, tomar café da manhã com ninguém mais, ninguém menos que Rosi Campos! Entre 11h da manhã e 1h da tarde, em sua aconchegante casa, em São Paulo, batemos um longo papo, rimos e petiscamos pães de queijo. Num clima totalmente agradável, eu e Caio Gallucci (fotógrafo da TAL) ainda papeamos um pouco com Ary Brandi, grande fotógrafo e marido da atriz.

Você é jornalista, formada pela ECA (Escola de Artes Dramáticas da USP), e trabalhou por cinco anos como Assessora de Imprensa da Som Livre. Você pensava em seguir carreira?

Na verdade minha paixão sempre foi o cinema. Mas fazer cinema em 1974? (risos) Naquela época só tinha “Pornochanchada”, e se eu falasse ao meu pai que queria fazer, ele iria me chamar de louca. Então, um dia, uma amiga minha me “abriu portas” e comecei a trabalhar na Som Livre.


Na época da faculdade de jornalismo, você já era de um grupo de teatro, certo?

Sim, dentro da ECA tinha um grupo chamado Geteca, no qual eu fazia parte. Quando o grupo “Mambembe” precisou de uma substituição, meu amigo Douglas Salgado me indicou. Não tinha experiência nenhuma, porque o grupo da USP era amador, mas acabei entrando. Nele trabalhei durante cinco anos.


E do Mambembe para o Teatro do Ornitorrinco, onde você ficou por 5 anos, também foi indicação?

Foi. Chiquinho Brandão foi quem me indicou. Naquela época não tinha teste, isso só existe hoje. Tudo bem que era um musical, precisava cantar, dançar...


Naquela época você já cantava?

A gente sempre cantou nos espetáculos. Desde o primeiro que fiz: “Dom Quixote”, já era musical. E depois, com o Circo Grafitti, que a gente fundou em 1989, tinha mais música ainda!


O Circo Grafitti trabalha fundamentalmente com musicais e já recebeu 17 prêmios com a peça “Você Vai Ver o Que Você Vai Ver”. Outros espetáculos produzidos por vocês, como “Almanaque Brasil”, também tiveram sucesso absoluto de público e da crítica, além de acumularem prêmios.

Foi um plano de carreira atuar sempre em musicais e sempre estar envolvida com a comédia, ou foi acontecendo?

O artista não tem planos, não. A vida foi levando. Eu gosto muito de musical, mas é difícil fazer. Às vezes você encontra um bom cantor e bailarino, mas que não interpreta bem. E não é só cantar! As pessoas não têm noção da dificuldade que temos, e não dão valor algum, pensam que cantar, dançar e interpretar é fácil. Por isso que admiro demais a Claudia Raia e o Daniel Boaventura.


Você acha que o sucesso de uma peça sempre é conquistada pela junção dos trabalhos de produção, direção, texto e atuação do elenco?

Acho que não tem essa fórmula não, porque às vezes você tem tudo isso e não faz sucesso, só porque não tem ninguém de televisão... E, às vezes, não há ninguém famoso, e o espetáculo faz sucesso!


Há dois anos você está em cartaz com o espetáculo “De pernas pro ar”, que, aliás, o público taubateano poderá assistir no final de fevereiro/início de março. Como é a peça?

Ela tem um pouco do “Almanaque Brasil”, um pouco do “Gato Preto”... A gente fez uma compilação com a postura do “Almanaque”, colocando outras músicas, e é um espetáculo muito divertido!

Tomara que o Vale do Paraíba possa visitar Taubaté para assistir, e, em falar em visita, eu estou louca para visitar Quiririm de novo, adoro aquela vila italiana!



Você é uma atriz super privilegiada, porque tem muitos trabalhos no teatro, na TV e no cinema...

É verdade. Só a personagem Morgana “me levou” para os três (TV, cinema e teatro).


Na TV, o “Castelo Rá-Tim-Bum” acho que foi desde 1993. Fizemos 90 programas que reprisam até hoje. Atingiu várias gerações. Foi um programa de grande sucesso na TV Cultura, que dava 10 pontos de ibope, às 19h, concorrendo com o jornal do SBT. Foi um escândalo!

Fiz também o filme, do mesmo nome, em 2000. E, no teatro, fiz a peça “A Saga da Bruxa Morgana e o Enigma do Tempo”, em 2006.

A Mamuska, da novela “Cor do Pecado”, foi um hiper sucesso também, a novela vendeu mais que “O Clone”. Eu não sabia disso. Amigos me falaram que sou conhecida no leste europeu (por causa de novela) e na Venezuela (por causa do Castelo Rá-Tim-Bum).


Você acabou de gravar o longa “Chico Xavier”. O que você está esperando da estreia, em abril?

Eu espero que seja um sucesso muito grande, porque existem muitos espíritas no Brasil. Declarados e não declarados são mais de 40 milhões. O Chico é conhecidíssimo, mas tem muita gente que é nova e não o conhece. Foi uma pessoa que realizou projetos, que continuam até hoje! Se você for lá em Uberaba (MG), verá o centro espírita, a casa de refeições, que recebe as pessoas e doa sexta básica, e ainda o museu dele, que é a casa onde morava. Tudo cuidado pelo Eurípedes, que continua com a obra. É impressionante, tudo funciona!


Daniel Fiho, diretor do longa, não é espírita. Depois de gravar o filme, ele não mudou de religião? (risos)

Ele ficou muito tocado. Se emocionou muito com a história do Chico Xavier, porque é um exemplo de ser humano, e não tem quem não se modifique com a historia dele. Só a vida dele já te faz perguntar: “Meu Pai, como ele conseguiu tudo que conseguiu, com tanta dificuldade, naquele fim de mundo, com aquela pobreza?”.

Ele trabalhou anos como funcionário público, para cuidar dos irmãos. Tudo que ele ganhava, ele dava. Totalmente desprendido. Ele não viveu neste mundo, ele transitava em outra esfera. Não vivia essa coisa material e sofrida.


Para você, por ser espírita, foi um presente...

Eu amei interpretar a “Cleide”, que acompanhou o Chico em tudo. Acabei indo para muitos lugares. Fora isso, adorei esse trabalho, também, porque o Daniel é muito legal, ele cria um ambiente adorável, saudável, agradável (risos). E coloca todo mundo no filme: a mulher do fotógrafo, o maquiador, o fotógrafo...Ele é uma pessoa muito inteligente!


São cerca de 35 anos de carreira. “Rosi Campos” não é apenas atriz, mas também produtora, roteirista e diretora.

Você está produzindo atualmente?

Sim. Estou com um projeto grande, que é “Morgana e a Família Real”. Era para ter sido feito no ano passado, mas ficou para este ano. Sabe como é, né, a gente tem projetos imediatos, a curto, a médio e a longo prazo (risos).

E também gosto de “botar a mão na massa”! Varrer palco, pegar cenário. Adoro essa parte de produção. É legal porque você não fica na mão de ninguém. Aliás, quem foram as atrizes que atravessaram todos esses anos e estão aí, maravilhosas? Fernanda Montenegro e Marilia Pera, que sempre se produziram!!!


Pode acontecer de uma peça não ganhar patrocínio e fazer um mega sucesso. Isso já aconteceu co você?

Com “As Sereias da Zona Sul” conseguimos patrocínio de 3 meses, e ficamos 7 anos em cartaz. Quando precisava viajar, eu que pagava as passagens. Eram 8 pessoas na equipe. Os produtores locais bancavam o hotel. Quando chegava na cidade, ainda tínhamos que pagar mídia. Só até aí já tínhamos gasto uns R$ 10 mil. E para conseguir esse valor na bilheteria? Se sobrar o ator ganha, se não...