quinta-feira, 2 de março de 2017

Mitos e verdades sobre o consumo de leite

Intolerância à lactose X alergia à proteína do leite de vaca:

A alergia à proteína do leite de vaca é uma reação imunológica adversa, que se manifesta após a ingestão de uma porção (ainda que mínima), de leite ou derivados, podendo provocar alergias na pele, reações respiratórias e diferentes graus de injúria no intestino (constipação crônica, dores abdominais e/ou diarreias), além de náuseas e vômitos. Neste caso, não pode haver ingestão da proteína do leite. 

Já a intolerância à lactose é o nome que se dá à incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados, a lactose. Esse problema ocorre quando o organismo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, a enzima digestiva chamada lactase, responsável pela quebra e decomposição da lactose. Como consequência, essa substância chega ao intestino grosso inalterada, onde se acumula e é fermentada por bactérias, resultando na formação de gases que podem provocar dores abdominais. 

A quantidade de lactose que irá causar sintomas varia de indivíduo para indivíduo. Eles dependem de quanto e da forma que a lactose for ingerida e do grau de deficiência da enzima lactase, mas, normalmente, são transitórios e não causam danos ao trato gastrointestinal. 

Na deficiência genética, a criança nasce sem condições de produzir lactase. Na deficiência adquirida, a falta da lactase resulta de doenças intestinais, como diarreias persistentes, síndrome do intestino irritável, doença de Crohn ou outras causas de lesão da mucosa do intestino delgado. 

Na deficiência transitória, há a perda temporária na produção de lactase, devido a algum dano à mucosa do intestino, como por exemplo, pelo uso prolongado de antibióticos ou cirurgias no trato gastro intestinal. 

Os indivíduos que absorvem mal a lactose costumam apresentar exacerbação dos sintomas de intolerância quando ingerem o leite puro e em grandes quantidades, mas quando sua ingestão é feita com outros alimentos, os sintomas costumam ser amenizados. Laticínios como queijos (com exceção dos frescos), apresentam apenas traços de lactose, podendo ser ingeridos por essas pessoas. 

O iogurte também costuma ser mais bem tolerado por maus absorvedores de lactose do que o leite, já que durante sua produção, parte da lactose é fermentada, produzindo ácido lático, o que resulta em uma diminuição de 25% a 50% da lactose. Além disso, esses indivíduos podem fazer uso da enzima lactase existente no mercado e que pode ser adicionada ao leite ou ingerida na forma de medicamento e, dessa forma, se beneficiar da qualidade nutricional do leite e dos produtos lácteos. 

Segundo parecer elaborado pelo Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-3) (Conselho Regional de Nutricionistas SP/MS, 2013), a recomendação indiscriminada para a restrição ao consumo de leite e derivados não encontra, atualmente, respaldo científico com nível de evidência convincente e está em desacordo com o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar (2007). 

Ainda segundo o CRN, a restrição ao consumo de leite e derivados somente deve ser feita aos indivíduos com diagnóstico clínico confirmado de intolerância à lactose, sensibilidade à proteína do leite ou de outras condições fisiológicas e imunológicas (Conselho Regional de Nutricionistas SP/ MS, 2013). 

Desta forma, pessoas com intolerância à lactose devem ser avaliadas individualmente, e de acordo com a sintomatologia, o consumo de leite e derivados lácteos deve ser reduzido e não excluído, principalmente para adolescentes e adultos jovens. 

Fonte: Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição


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